quarta-feira, 21 de novembro de 2012

As Três Marias

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Com um punhado de parágrafos dispersos e desprovidos de sentido algum, percebo o quão difícil é seguir, de modo concatenado, cada passo do plano. A ordem dos produtos altera o fator principal que é, antes de qualquer coisa, a ordem. Mantê-la a qualquer custo ou custear a desordem? O preço do amanhã é, para muitos, inacessível e o que mais pesa no bolso é a sensação estranhamente familiar de que jamais haverá tempo suficiente na vida.

Na sala de espera o que chega primeiro é a mensagem com as boas novas. As novidades nem tão boas vêm logo depois, mesmo que anunciadas há algum tempo por meio de mensagens bem diretas. No mesmo dia em que soube do (glorioso) dez no (penoso) projeto de monografia, tomei o conhecimento das feridas instaladas em todo o meu tubo digestivo. Coisa de anos. Coisa para a qual eu não tive tempo em muitos anos. O mesmo tempo que eu não tinha para dormir, nem para almoçar e muito menos para praticar qualquer tipo de exercício físico. Porque tudo me consome mais do que a minha preocupação com a saúde. Porque o meu tempo está preso em um investimento complicado que eu fiz, do qual me convenceram porque renderia o suficiente para compensar as perdas e os atrasos. Fazer a diferença. Digamos que o dez estava um pouco fora do meu orçamento, mas eu investi tudo o que tinha (e até o que eu não tinha) do meu tempo nele. Desde então tenho buscado uma linha de investimentos com uma relação custo/benefício um pouco mais vantajosa. Dosar os débitos e otimizar os créditos, para que o déficit não me traga mais prejuízos nessas proporções.

Hoje, depois de um dia especialmente comum, desperdicei alguns minutos comendo alguma coisa que provavelmente irritou um pouco mais aquelas feridas no meu estômago, em companhias que certamente suavizaram essa irritação, pois me fizeram ganhar horas. Chegando em casa, eu perdi mais algum tempo enquanto ganhava as estrelas de um céu em que há muito não investia um olhar. Ao invés de mirar aquela caneca onde eu não posso beber café ou o chocolate que não posso mais comer, eu prefiro fixar os meus olhos naquela constelação em que os nossos sonhos se encontram sem a pressa de se desviar. E lá a gente toma um café com chocolate, porque lá a gastrite, a esofagite e a duodenite são apenas os nomes das estrelas daquela constelação. As Três Marias.

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