sábado, 17 de setembro de 2011

Não tem preço, mas vale muito

Fotografia: Jússia de Carvalho


Coisas que não custam nada são as mais caras.
Elas nos custam o esforço de entender por que são de graça.
(Cesare Pavese)

As mulheres, fazendo uma leitura geral sem generalizar (se é que isso é possível ou coerente), são emotivas e por isso choram bastante. Eu, pertencendo à espécie, não fujo da regra. Não muito. A gente sempre tem fases que condicionam essas circunstâncias, mas de uns tempo pra cá tenho derramado muito menos lágrimas do que em outras épocas. Quando fomos à Londrina tudo estava bem, eu acho. Apesar de tudo o que tínhamos enfrentado, as coisas estavam dando certo e eu só pensava que o resto era o resto, mas não era. O resto era muito, demais para empurrar pela garganta e cair no estômago sem causar indigestão. Então eu chorei. Choramos. Por todo o choro que eu tinha engolido, disfarçado. Por tudo o que tinha caído no meu estômago e eu não conseguia digerir. Eu senti que poderia chorar enquanto permanecesse acordada e parecia que seria por muito tempo.

Talvez as coisas tenham mesmo um momento apropriado para acontecerem e depois que eu parei de chorar, aconteceu. Então eu gritei, porque a classe feminina também é histérica e eu, mais uma vez, não ando na contramão da regra. Eu gritei por todo mundo que queria gritar comigo, mas não podia. Gritei pelo choro que agora era alegria. Por todos os gritos que eu chorei e que ficaram para a próxima. Eu gritei sem voz, com o que eu tinha. Por cada dia, por cada um. Eu gritei.

As lágrimas e os gritos não fazem de mim mais mulher nem mais humana, mas o sentimento externado através dessas reações circunstanciais é o que entra para a vida das pessoas e isso não tem preço, mas vale muito.

2 notas de rodapé:

Nessa Oliveira disse...

EU JÁ SABIA!

Sem mais.

Taffarel Brant disse...

Chega uma hora que a gente exterioriza. Não é errado: é o caminho.

Um beijo!

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