quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Eu sei que você sabe

Fotografia: Anna Laura Neumann

Tenho sonhado muito nessas noites, demais mesmo. Repetidamente, nem sempre são bons sonhos. Na última noite, em meio a um abraço de saudade, uma voz insistia em repetir as seguintes palavras: eu sei, eu sei. Sem que eu tivesse dito nada. Eu nem contei o quanto tudo anda confuso e como eu me perdi e me encontrei tantas vezes depois de me perder de ti. Eu não falei do quanto as coisas mudaram aqui dentro e ali fora e elas continuam mudando o tempo todo. Eu não confessei que às vezes é difícil acompanhar isso todo o tempo, porque eu me distraio com uma facilidade absurda e eu aposto que pra ti isso é novidade, mas ainda assim a tua voz continuava serena: eu sei, eu sei. Eu não reclamei da falta (que faz aqui), nem (da saudade que) sobra. Eu não culpei ninguém. Eu não trouxe nada. Eu não pedi coisa alguma. Eu não te disse nenhuma palavra guardada, planejada ou desejada. Eu só senti, com os olhos duplamente fechados (uma vez pelo sono e outra pelo sonho), que entendias, enquanto no meio daquele abraço sussurrava: eu sei, eu sei.

Sabe, às vezes isso era tudo o que eu queria ouvir... acordada.

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