domingo, 10 de abril de 2011

Sobre o que não adianta


 Fotografia: Josef Hoflehner

Depois de uma semana tão comprida que eu sequer consigo me lembrar como começou, eu apenas quero dizer que não adianta mais. Não adianta amontoar-se em filas para doar sangue quando uma tragédia é anunciada no noticiário. Todos os dias, um número muito maior de anônimos com problemas tão trágicos quanto os do telejornal, precisam de transfusão sanguínea. Não adianta mais olhar pro chão desejando que ele se abra debaixo de seus pés, quando não quiser encarar alguém de frente, apenas tenha dignidade suficiente para fazer isso olhando nos olhos dela. Ignorar não adianta. Não adianta apontar o óbvio, indicar um caminho tem muito mais a ver com o que você faz do que com o que você pensa. Chorar não adianta, mas acontece. Família adianta, amigos adiantam, tolerância e paciência adiantam para compreender tudo aquilo que não adianta, mas acontece.

2 notas de rodapé:

Taffarel Brant disse...

Eu vejo duas saídas: não preocupar-se com aquilo que não adianta ou teimar e continuar persistindo.

Há coisas que não adiantam, mas, mesmo assim, continuamos a acreditar que algum dia o tempo que gastamos com elas vai adiantar em algo.

Taíssi Alessandra disse...

não consigo te responder outra coisa que não: exato.

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