domingo, 7 de novembro de 2010

Do lado de fora do armário

Fotografia: acervo pessoal

Naquele momento, pela primeira vez em algum tempo, eu me senti sozinha e não julguei a situação como boa ou ruim, apenas real. Sentada na minha cama, observei o roupeiro novo e perguntei a mim mesma por que razão eu esperei tanto para tê-lo. Olhei mais uma vez. Por que afinal, as coisas novas nos parecem tão bonitas, até chegar o fatídico momento em que nos cansamos delas? O design das maçanetas das portas parecia fazer tanto sentido, mais até do que a minha vida inteira. E isso tudo não era loucura, apenas solidão.

A única coisa que me vinha à mente naquele instante, era a imagem do montador. Eu só pensava em desmontar e montar outra vez, em outro lugar e me perguntava se o móvel aguentaria. Talvez os roupeiros sejam mais resistentes do que os relacionamentos... ou não.

Eu imaginei o guarda-roupa em muitos lugares diferentes. Lembrei-me então de um sonho, não era meu, na verdade era um plano: passar o Natal vendo a neve cair. Eu não sabia como juntar dinheiro para ir a Irlanda, quem sabe vendesse o roupeiro... e todo o resto. Conhecia gente que escrevia pior do que eu e ganhava dinheiro com isso, mas eu era toda medo, sonhava sozinha e tinha vergonha do meu travesseiro. Esse era, definitivamente, o meu problema. Eu viveria tranquilamente sem um guarda-roupa, mas não sobreviveria sem um sonho.

0 notas de rodapé:

Postar um comentário

Fique a vontade, a época é toda sua.